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Posted by : wagner elias 17 março 2014

Dando continuidade à matéria iniciada semana passada trago a segunda parte da análise sobre as gerações do mangá brasileiro e os motivos pelos quais não temos até hoje um mercado nacional no gênero. Vamos então para o terceiro período do mangá nacional:

Década 2000
Essa década foi marcada pelo auge e súbita decadência do mangá nacional. Nesse período um bom número de artistas já se destacava no mercado editorial e, aos poucos, levantavam suas paredes sobre o alicerce construído na década anterior. 
O impulso gerado pela Animax anos atrás estava ganhando estrutura e logo poderia se consolidar.
Até então a Trama era a única editora que conseguia publicar material nacional com bons resultados, mas a partir do início dessa nova década, outras editoras resolveram apostar no segmento e lançaram diversos títulos fazendo desse período o mais prolífero até hoje. Até 2004 tivemos um número considerável de títulos brazucas estampando as prateleiras das bancas. A Trama continuava sua linha editorial com Victory, Tsunami, Ethora dentre outros, além de republicações de Holy avenger.


 
Outras editoras como a Kingdom Comics, Brainstore, JBC e Panini também tentaram investir em títulos nacionais, mas o que se pode notar é que todas elas estavam entrando meio hesitantes, em geral não apostando muito alto.

Ainda no ano 2000 a editora Escala tentou entrar nesse mercado publicando a revista Desenhe e Publique Mangá, que seguia um padrão parecido com o usado nas antologias Japonesas. Mais tarde ela tentaria de novo com a Talentos do Mangá, ambas, porém, sem grandes resultados já que publicava histórias fechadas sem continuação.

2002 foi o ano mais fértil tendo um grande número de publicações. Nessa época tinha até uma boa divulgação nas revistas especializadas. Cheguei inclusive a comprar alguns como Fighter Dolls e Combo Rangers. 
Sim, os mangás nacionais realmente estavam ganhando qualidade naquela década. Acredito que essa evolução poderia levar a uma futura consolidação do gênero no país, não fosse por um detalhe.


Por que não deu certo?
No ano 2000 a editora Conrad trouxe pela primeira vez para as nossas terras um título originalmente Japonês. É verdade que já haviam sido publicados mangás no Brasil como Ranma 1/2, mas dessa vez estava-se fazendo algo realmente novo. Diferente de tentativas anteriores a Conrad apostou num formato mais parecido com o original optando por não espelhar as páginas (como se fizera em tentativas anteriores) e lançando mais capítulos por edição. A proposta da Conrad foi excelente para o mercado de mangás no Brasil, mas não para o mangá brasileiro. Como assim? Como já expliquei anteriormente o mangá nacional, apesar de sua rápida evolução entre os anos 90 e 00, ainda não estava pronto para competir com os títulos internacionais que surgiriam a partir de então
Tá certo que não precisa muito esforço pra desenhar como o kurumada mas... ah vá, né?

Foi aqui que começou a decadência do mangá made in Brazil. À medida que foram surgindo mais títulos japoneses os nossos mangás foram perdendo cada vez mais o espaço que ainda nem haviam conquistado por completo. Se você for reparar bem, os motivos que levaram ao surgimento de um público em potencial para esse produto nacional não foi a sua qualidade, mas sim a falta de material de melhor qualidade. É tipo quando você compra Dolly porque não tem Coca Cola na prateleira.

Não posso garantir quais seriam os rumos tomados pelo mangá nacional sem a competição estrangeira, mas não tenho dúvidas de que este foi um fator relevante para o enfraquecimento do produto nacional. Em contrapartida, embora o mercado para esse produto tenha se acanhado, os artistas não. Com o passar do tempo o artista inexperiente que outrora não se equiparava ao estrangeiro continuou evoluindo e os resultados vieram na década seguinte.

Década 2010
Enfim chegamos ao nosso tempo. Cerca de 5 décadas se passaram desde as primeiras manifestações do mangá no Brasil e o que mudou de lá pra cá? Alguns pessimistas costumam dizer que não mudou nada, mas eu digo que sim, mudou muita coisa. Estamos deixando de ser amadores e nos tornando a cada nova página mais próximos de verdadeiros profissionais. Então o que falta?
A década atual começou com a timidez herdada da década anterior. Poucas editoras se arriscam nesse mercado e as poucas que o fazem, fazem de forma "segura" o bastante para evitar prejuízos.Talvez a que mais se arriscou tenha sido a HQM que, logo em 2010 inicia o selo HQMangá através do qual investe em títulos nacionais com a publicação das séries "Vitral" e "Príncipe do Best Seller", ambos produzidos pelo Futago Estúdio, e no ano passado "Vidas Imperfeitas" de Mary Cagnin. Tivemos nesses últimos anos alguns outros títulos lançados por aí como DBride de Marcelo Casaro e Erica Awano,  e o bem sucedido Ledd de J.M. Trevisan e Lobo Borges.




Outras editoras publicaram uma coisa aqui, outra ali, algumas se limitando a incluir histórias curtas em algumas páginas de revistas informativas, mas nada muito ousado. Mas, quando ninguém esperava, surge uma luz no fim do túnel. Em 2011 Alexander Lancaster anuncia a criação de uma editora independente que funcionaria seguindo o modelo das antologias japonesas. Na época eu cheguei a comentar sobre como eu acreditava nesse projeto não como algo que necessariamente daria certo, mas como um precursor de uma nova era para o mangá brasileiro. E, de fato não deu certo. Entretanto, a proposta de Lancaster deu a vários autores novatos uma motivação e a chance de se unirem. 
Através de um grupo não oficial do Facebook os fãs da revista de Lancaster acompanharam juntos a ascensão, decadência e extinção da publicação. Neste ínterim aqueles fãs/autores foram se conhecendo e estabelecendo um vínculo que se consolidou à medida que compartilhavam de um ideal comum. Assim surgiu a revista digital nanquim que se propunha a fazer o que a Ação não conseguiu. Sem meter os pés pelas mãos a Nanquim Digital, como era intitulada na época, se limitou à publicação online e vem se mantendo até hoje com um público fiel.



Recentemente uma série publicada na revista foi impressa de forma independente através do sistema de financiamento coletivo pelo Catarse. Estou me referindo ao divertido Tools Challenge, de Max Andrade, que conquistou um público grande suficiente para fazer uma vaquinha e financiá-la. A própria revista digital teve uma edição especial impressa e está em processo de distribuição graças ao mesmo sistema de financiamento. Aliás, o Catarse, principal comunidade de financiamento coletivo do Brasil, tem sido responsável por um número cada vez maior de mangás publicados de forma independente.




Brazil Mangá Awards - por que?

Não posso dizer com certeza o que levou a editora JBC a lançar um concurso de mangá, mas dá pra imaginar. Após essa análise que acabei de fazer dá pra ver claramente que o mangá brasileiro está ganhando força novamente. Não sei se será apenas mais uma onda passageira ou se o mercado está abrindo as portas definitivamente para esse produto. O fato é que o já não somos mais tão amadores quanto antigamente. Mesmo sendo poucas, já existem obras capazes de competir com as japonesas e a JBC já percebeu isso. O meu medo é que a editora esteja tendo apenas uma visão superficial da situação ( notando que essas obras tem conseguido angariar público mesmo de forma independente) sem entender os fatores responsáveis por isso. Se a JBC começar a ver o potencial de cada obra e souber investir nisso, acredito que em pouco tempo teremos um mercado nacional consolidado.
Entretanto, precisamos esperar pra ver os resultados. Até lá o que resta é torcer para que a editora faça uma boa campanha publicitária, assim como faz com as obras estrangeiras que publica.

Leia a 1ª parte AQUI.





















{ 1 comentários... read them below or add one }

  1. Eu achei o seu post enquanto tentava procurar que nem louca o resultado do BMA, pois eu fui uma das participantes...mas os poucos links que achei algo dzia que o resultado vai ser só durante um evento da editora, e que a principal atração é o mangá da Sailor moon. E pior que é num lugar meio longe de casa,e condução cara do jeito que tá, nem faço questão de ir. Mas enfim, eu tô na lista das pessoas frustadas pela falta de premiação decente, pois eu gastei cerca de 60 reais pra produzir o meu mangá, fiquei super cansada e com dor de cabeça e sinceramente, acho q a organização dessa coisa toda ficou meio porca em alguns aspectos. Por exemplo, vc só pode mandar um link da sua obra (devia ter pelo menos deixado pôr mais um por precaução), e partes no MESMO site que, ora dizia q era pra mandar duas copias da via de inscrição assinada, ora três, fora outras informações q meio q mudavam, entre outras incoerências. Mas, reclamações de lado, adorei esse texto em duas partes, pra ser sincera eu acho q só ouvi falar de 3 ou 4 publicações q vc mencionou aqui (fora umas folheadas em holy avenger e eu li o 2º e 3º ação magazine). Na verdade, eu meio que já esfriei a cuca em relaçao a esse lance de ganhar vida como artista, eu acho q nem tenho jogo de cintura pra isso, pois sou extremamente timida e isso afeta minhas iniciativas, mtas vezes. Mas seria bom se outras editoras acordassem e fizessem concursos semelhantes, quem sabe mais bem organizados e com melhores premiações...
    *se alguma coisa ficou meio idiota aqui ignora tá, eu escrevi isso às 2 da madrugada*

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