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Posted by : wagner elias 12 março 2014

Antes de tudo aviso que esta matéria está dividida em duas partes só pra não assustar os mais indispostos. Dito isso, vamos ao que interessa:

Estamos há um mês e alguns dias desde o encerramento das inscrições para o pouco comentado concurso de mangá da editora JBC mais conhecido como Brazil Mangá Awards. Mas, apesar de poucos, tenho percebido que os comentários não tem sido muito favoráveis. Dentre as reclamações mais frequentes a que mais tenho visto é com relação à ausência de um prêmio em dinheiro para os 5 selecionados que gastaram dias de suor e nádegas doloridas para produzir suas obras dentro do prazo.
De fato, não é muito empolgante a ideia de trabalhar de graça apenas pela satisfação de ver seu trabalho realizado. Ou você já viu um médico que atende seus pacientes de graça só por prazer (a menos que ele seja herdeiro de um ricaço ou coisa parecida)? Não minha gente, ninguém quer fazer isso. Por outro lado eu pergunto a você aí do outro lado da janela, que gostaria de trabalhar fazendo aquilo que seus pais sempre lhe disseram que não teria futuro algum: quais as chances de seus pais estarem certos? Quantas oportunidades você já teve de empregar-se como quadrinista?
Digite no Google a combinação oportunidade+emprego+quadrinista e veja os resultados.


Onde quero chegar? Veja bem, no Brasil já existe um número considerável de pessoas que, como você, querem fazer de seus dotes quadrinistícos sua profissão. Tenho que admitir também que de uns tempos pra cá tem surgido artistas cada vez mais competentes nessa área. Mas o fato, meu amigo, é que as editoras estão pouco se lixando pro seu ideal de vida ou seu talento nato insuperável. O que lhes interessa é se vai dar lucro ou não, e convenhamos, no Brasil quadrinhos nacionais ainda é um terreno arenoso e nenhuma editora quer ser a primeira a explorá-lo assim, sem nenhum tipo de garantia - ainda mais se levarmos em conta que as tentativas do passado foram todas frustradas. Mas eis que surge uma proposta que dará ao aspirante a quadrinista a oportunidade de publicar seu trabalho de forma profissional, e essa proposta vem de onde? Sim, da segunda principal editora de mangás do país, a JBC.
Mas, e aí, vai vingar? Antes de qualquer conclusão é preciso uma análise, e nesse caso não se limita a uma análise do concurso em si, mas de todo um panorama que o antecedeu e abriu os olhos da editora para esse mercado. Afinal, não somos ingênuos de acreditar que a JBC só está sendo bacana. Então, convido você a relembrar as primeiras tentativas de se investir no gênero, traçando um perfil do mangá nacional no decorrer das ultimas décadas. Vou fazer então uma análise em quatro etapas, retratando quatro períodos diferentes para o mangá nacional, as principais investidas em cada período e o que não deu certo em cada um deles.

Décadas 60-80
Não, não foi na década de 90 que o mangá aportou no Brasil pela primeira vez. Já nos anos 60 vimos surgir os primeiros artistas de quadrinhos aderindo à estética do mangá. Minami Keizi e Claudio Seto lançavam naquela década, pela editora EDREL, as primeiras histórias em quadrinhos inspiradas em obras nipônicas. Tupãzinho, Ninja - O Samurai Mágico e Álbum Encantado foram alguns dos títulos que saíram entre as décadas de 60 e 70, e introduziram a estética no país. Sobre esse período não tenho muito o que relatar além do que ouvi de terceiros. O que posso dizer é apenas a impressão que tenho do que foi aquela época, que me parece ter sido o período mais espontâneo e honesto no que diz respeito ao objetivo inicial. Digo isso porque, aparentemente, os autores que se aventuraram nesse caminho incerto, não o fizeram por influência da modinha do momento ou por ser mais lucrativo (claro que havia interesse comercial, mas o estilo não era usado como estratégia para potencializar o interesse do público). A influência que tiveram parece ter sido natural e sem grandes pretensões. Não tive oportunidade de ler muitos desses quadrinhos, mas os poucos que li gostei.
                    

O que não deu certo?
Apesar do pioneirismo, essas obras não se tornaram tão influentes a ponto de difundir o estilo no país. O público não sabia nada sobre mangá nem se interessava em saber. O estilo adotado por aqueles artistas parecia ser apenas um estilo próprio que chegava a causar estranheza algumas vezes, mas nada suficientemente impactante que pudesse gerar um público específico. Precisava-se de uma motivação. Algo que estimulasse o interesse do público e gerasse não só leitores dispostos a consumir aquele tipo de material, mas também artistas que aderissem ao novo estilo.

Década 90
Foi por volta da primeira metade dos anos 90, com o sucesso de Cavaleiros do Zodíaco, que acendeu-se o estopim para um boom de títulos nacionais que surgiriam nos anos posteriores. A invasão dos animes, entabulada pelos protetores de Atena foi o motor que impulsionou a produção nacional. Em 1996 a editora Magnum, que publicava com sucesso a revista informativa Animax, lança o fanzine Hipercomix, uma paródia escrachada das séries que faziam sucesso na época. Junto com esse título a editora publicou também o mangá do Megaman. Sobre este último vou me demorar um pouco mais pois se trata de uma das mais ousadas manifestações do gênero em território nacional. Na edição 13 da revista Animax eram apresentados os desenhistas de Novas Aventuras de Megaman, o novo título da editora. Na falta de recursos pra pagar artistas profissionais (os próprios editores trabalharam de graça por cerca de 10 edições) Sérgio Peixoto, o editor chefe, teve a feliz ideia de convocar leitores que estivessem dispostos a desenhar as páginas da revista, e em troca receberiam como pagamento a edição que desenhou. Essa iniciativa representou uma grande contribuição para o quadrinho nacional, revelando nomes importantes como Edu Francisco e Daniel HDR. O mais bacana é que, na negociação com a Character, empresa licenciadora da franquia, foi oferecido aos editores o mangá original, mas eles não aceitaram, preferindo a produção inteiramente nacional, um verdadeiro exemplo de incentivo artístico.
Foi no fim desse período, em 1998, que surgiu o mais bem sucedido mangá nacional até hoje publicado, Holly Avenger, de Marcelo Cassaro e Erica Awano (que fora uma das revelações anos antes como desenhista da edição 4 de "Novas Aventuras de Megaman). Além deste tivemos a adaptação de Street Fighter, pelos mesmos artistas, e Mortal Kombat, tendo Cassaro como roteirista e desenhado por outro filho da revista do Megaman, Edu Francisco.






















Também em 98 a editora M&C fez uma tentativa frustrada com a revista Mangá Booken, que seguia os moldes dos almanaques japoneses (ou pelo menos tentava). A revista não vingou e foi cancelada em sua quarta edição, não representando muita relevância para o mercado nacional. A curiosidade que posso citar é que o Studio Seasons participou das duas primeiras edições dessa revista.




Por que não deu certo?
Essa geração parecia bastante promissora com boas iniciativas que funcionaram a princípio, mas que foram vítimas do amadorismo. Na verdade esse não foi exatamente um fator determinante se levarmos em conta que todo pioneirismo é caracterizado pelo amadorismo. Claro que as publicações que surgiam naquela época poderiam evoluir e, aos poucos, construir seu alicerce no mercado editorial. O problema foi o choque ocorrido na década seguinte com o lançamento de mangás originais do Japão com qualidade descomedidamente superior. Não dava pra competir com títulos como Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco - não haviam artistas com experiência suficiente para tanto. O público perdeu o interesse por obras nacionais e migrou para os títulos japoneses sem dó nem piedade, afinal o público não quer saber o que o artista teve de enfrentar, quantas horas de sono perdeu ou quanto suor derramou, o que ele quer é qualidade, e nesse aspecto o Japão era indiscutivelmente superior.

Até aqui falamos sobre os dois primeiros períodos do mangá nacional. No próximo post continuo com a segunda parte. Até lá!

Leia a 2ª parte AQUI.

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