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Posted by : wagner elias 05 junho 2013


Alô alô amiguinhos!
Vocês já devem saber que recentemente a Shonen Jump lançou uma competichan que fez fanzineiros do mundo inteiro (em especial os do Brasil que não costumam ter chances de publicação a menos que saiam do país) se contorcerem de emoção em cima da cadeira e espirrar o nissim na tela do PC.

Pra quem tá por fora vou explicar: é que a editora mãe de sucessos como Dragon Ball, One Peace e Naruto está lançando um concurso de mangá aberto ao público mundial, incluindo nós daqui do Brasil (veja o site oficial aqui). O grande diferencial do concurso é que serão aceitos trabalhos em três idiomas diferentes: japonês, chinês e inglês. Ou seja, é a chance dos brasileiros (pelo menos da menoria que sabe ingrêis), de mostrar sua arte para o mundo e provar a seus pais que seus rabiscos servem pra alguma coisa. Mas, será que dá pra nós?

Tem muito carinha por aí que acha que sua história é a última bala que matou a coca cola do deserto, mas será que é mesmo? Lembre-se que estamos falando da Shonen Jump, não do jornal de 25 centavos que você compra na parada de ônibus. Então temos que refletir melhor e pensar honestamente se nossa ideia é mesmo tão boa assim. Mas, o que define se uma história é boa ou não? Sua mãe diz que você é um talento nato e seus colegas de escola falam que você é o diabão do desenho? Tá, mas sua mãe não é exatamente uma expecialista na área (talvez seja, mas se for então pare de ler isso e vá pedir conselhos pra ela) e, mesmo que você desenhe realmente bem, isso não basta pra que sua história fique entre as premiadas da Jump. Então, como criar um mangá que seja mais do que legalzinho? Como desenvolver uma ideia que se destaque de todas as outras que vemos aos montes por aí? Enfim, como ser notado pela Weekle Shonen Jump?
Por conta de tais questionamentos me proponho a apresentar aqui alguns pontos que poderão lhe ser úteis na hora de compor suas páginas. Lembrando que não se trata de uma receita que deve ser seguida à risca, mas de um conjunto de princípios que poderão lhe guiar em um caminho que você mesmo vai traçar.

Resolvi dividir a matéria em tópicos que postarei esporadicamente aqui, pois se eu colocasse tudo de uma vez você provavelmente não ia ter paciência de ler até o final. Então, comecemos pelo nâmbou uan:
1-      Defina o que você quer fazer.
O que você quer fazer?! Esta ideia pode parecer óbvia, mas muita gente costuma confundi-la com outra bem parecida: “o que você quer ver”.
Como assim? Ora, pergunte a si mesmo, o que eu gosto de ver? Quais os meus mangás, animes, filmes favoritos? Quais os títulos que mais me influenciam? Até que ponto os elementos presentes nesses títulos estão presentes na minha obra? Se você fizer uma análise franca com base nessas questões talvez chegue a respostas desapontadoras.

Pois bem, vamos fazer aqui uma breve simulação. Vamos pensar que você esteja acompanhando agora os capítulos de One Peace. No momento atual é a sua maior influencia em quadrinhos, seja pelo carisma dos personagens, pelo positivismo que move a história ou pelas reviravoltas que acontecem do nada fazendo você ficar constantemente a flor da pele apesar dos mais de 10 anos de série. Então você pensa: se eu fizer uma história em quadrinhos, quero que seja exatamente assim. E é aí que você se lasca.

Imagina uma merda como essa.
Eu costumo dizer que os extremos são sempre precipícios. Tudo bem que você admire certa obra ou se deixe inspirar pelo estilo narrativo de um autor ou outro, mas não seja extremista, encontre o ponto médio. Se você tiver em seu mangá um ou outro elemento que lembra One Peace, ou seja lá qual for que te inspire, tudo bem. Por outro lado, mesmo com um enredo totalmente diferente, pequenas características semelhantes, se usadas em excesso, podem fazer com que sua obra pareça (ou se torne) um plágio.
Fairy Tail é muito bom.
Porém muita gente considera  sua semelhança
excessiva com One Peace um ponto fraco.

Por isso é importante ter em mente a diferença entre as duas ideias que apresentei no começo. Não tente fazer sua história igual à do seu autor favorito. Não tente colocar na sua obra os mesmos elementos que fizeram daquela série o sucesso que ela é. Definitivamente, não faça isso, pois o fato de ter dado certo com alguém não quer dizer que vai dar certo com você. Pelo contrário, talvez não funcione justamente por já ter sido usado antes. É como aquele cara da assistência de celular que te passou um calote semana passada. Você provavelmente não vai cair no mesmo golpe da próxima vez (a menos que você seja uma pessoa realmente idiota). Isso mesmo, você é o cara da assistência técnica vizinha. Não use o mesmo golpe que seu rival, pois não vai funcionar*
*Não estou incentivando você a passar calote nos outros seu retardado. Isso é só uma analogia.

O próprio Oda se inspirou muito nas obras de Akira Toryiama,
mesmo assim consegue ser original.

Então, resumindo, o que você quer fazer não é o que você quer ver. Talvez você queira ver One Peace, ou talvez HunterxHunter, ou até mesmo aquele carinha que tem um diabo no bucho (como é mesmo o nome dele?). Mas você não pode querer fazer nenhum deles, pois todos já foram feitos por alguém. O que você quer fazer é algo completamente novo (ok, talvez não completamente), algo que as pessoas vejam e digam: “olha só, como eu não tive essa ideia”? igual a como você disse a respeito de One Peace quando o leu. Sacou?
Então, segue uma dica: não subestime suas ideias. Talvez em um pensamento idiota que você teve durante o intervalo para o almoço ou enquanto olhava pela janela do ônibus naquele engarrafamento. Enfim, qualquer ideia pode se tornar uma boa história, basta que você conte de maneira interessante e original. Mas sobre como fazer isso, eu explico em outro post.
Então é isso moçada, esse é apenas o primeiro tópico da matéria. Logo mais estarei aqui de novo com mais dicas.

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